quinta-feira, outubro 13, 2011

projecto de documentação.

VOU A TUA CASA
OFICINA DE TRABALHO 

Quase 4 anos depois desde a última edição do workshop Vou A Tua Casa, que passou por cidades como Lisboa, Porto, Torres Vedras, Braga, Caldas da Rainha, Almada, Hamburgo, Berlim e Arnhem, e a convite do Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra), regressei este mês a um formato que sempre me pareceu o mais certeiro no que às dimensões teórico-conceptuais do projecto em questão diz respeito: um espaço de partilha e de experimentação em torno de um trabalho cuja premissa basilar é virar a construção teatral do avesso, para melhor lhe vermos não os mecanismos que a fazem funcionar, mas as entranhas que a podem matar. Esta edição especial do workshop, que terá resultados públicos no início do próximo ano, coincide também com a pré-publicação online de alguns dos conteúdos do livro e do documentário "Vou A Tua Casa", cuja edição física será lançada igualmente no início do próximo ano. Mais informações sobre as actividades terroristas levadas a cabo na cidade dos doutores serão disponibilizadas brevemente. Até lá, não esquecer que (e apesar de tudo)...




Mais sobre o workshop:

Uma trilogia teatral em forma de mapa-percurso: o ponto 'A' é a tua casa, o ponto 'C' é a minha, o ponto 'B' é aquele sítio impossível onde por ti sou apanhado no meio. Em Lisboa e noutros sítios. O projecto, conjunto de três performances, um ciclo de conferências, um livro e um vídeo-documentário, desenrolou-se em várias cidades portuguesas e estrangeiras entre 2003 e 2006, baseando-se num deslocamento geo-emocional dos lugares onde habitualmente vemos e participamos em projectos performativos: a primeira performance acontecia na casa dos espectadores, a segunda em espaços públicos à escolha do espectador, a terceira na casa do próprio criador. Para este workshop proponho um espaço de discussão/reflexão à volta das dimensões teóricas mais importantes que emergem do projecto, com vista à construção de um projecto pessoal de intervenção em espaços inusitados que será levado a cabo por cada participante. Mais do que uma prospecção sobre materiais residuais de uma performance circunscrita a um tempo e a um espaço específicos, o workshop alicerçar-se-á numa reflexão sobre a prática documental quando aplicada às artes performativas, operando criticamente em conceitos como os da efemeridade, memória, intimidade/privacidade e discurso autobiográfico. Aberto a todos aqueles que gostam de questionar a essência do gesto artístico, a teatralidade inerente às acções mais ou menos banais do quotidiano e os limites da privacidade.

domingo, outubro 09, 2011

projecto de documentação.

EM CONTAGEM DECRESCENTE
para a pré-publicação online (não integral)

do livro e do documentário:



VOU A TUA CASA | FUI

Uma trilogia teatral em forma de mapa-percurso: o ponto 'A' é a tua casa, o ponto 'C' é a minha, o ponto 'B' é aquele sítio impossível onde por ti sou apanhado no meio. Em Lisboa e noutros sítios.




Teasers, previews, trailers e outros anglicismos cool, neste blog, até ao final de Outubro de 2011 Workshop Vou A Tua Casa" (TAGV/Coimbra), nos dias 11 e 12 de Outubro de 2011.


Vou A Tua Casa — Projecto de Documentação é um projecto transdisciplinar que compila uma panóplia de materiais documentais oriundos da trilogia Vou A Tua Casa (2003/2006), conjunto de três performances (a primeira na casa dos espectadores, a segunda em espaços públicos à escolha do espectador, a terceira na casa do criador) num catálogo e num vídeo-documentário. Mais do que uma prospecção sobre materiais residuais de uma performance circunscrita a um tempo e um espaço específicos, o projecto alicerça-se numa reflexão sobre a própria prática documental quando aplicada às artes performativas, operando criticamente em conceitos como os da efemeridade, memória, intimidade/privacidade e discurso autobiográfico. À distância de 5 anos, o catálogo revê o trajecto geo-emocional e performativo percorrido por um artista, uma peça e os seus espectadores, visitando Lisboa, Torres Vedras, Londres, Porto, Hamburgo, Covilhã, Berlim, Braga, Caldas da Rainha, Évora, Arnhem e Amares.

Autoria & Concepção—Rogério Nuno Costa
Direcção Gráfica—Nuno Coelho
Coordenação Editorial—Mónica Guerreiro 

Colaboradores
Ana Cardim, Ana Pais, André e. Teodósio, André Guedes, Beatriz Cantinho, Carlos Bunga, Cláudia Jardim, Cláudia Madeira, DJ Next Track, Franz Anton Cramer, Jeremy Xido, João Carneiro, José Luís Neves, Luís Firmo, Luísa Casella, Maria de Assis, Maria Lemos, Natacha Paulino, Nelson Guerreiro, Pierre von Kleist Editions (André Príncipe & José Pedro Cortes), Ramiro Guerreiro, Rui Ribeiro, Teresa Prima, Verónica Metello & um grupo selecto de ex-espectadores.


segunda-feira, fevereiro 28, 2011

lado c.

BACK HOME EDITION


Porque agora ele vai MESMO embora para Amares fazer performances para as vaquinhas, para que fique claro que: 1) o Rogério Nuno Costa cumpre o que promete (apesar de todas as indicações contrárias), 2) o Rogério Nuno Costa não é adepto "concreto" do tão pós-moderno adiamento permanente (diz que odeia todo o campo semântico, mais ou menos anglo-saxónico, da expressão work-in-progress), 3) o Rogério Nuno Costa é adepto, sim, da tão orwelliana correcção retroactiva da realidade: não foi, mas podia ter ido, então vai agora. Tudo isto para dizer: "Adeus, gostei muito, obrigado, vocês são todos uns giros e uns queridos. Beijinhos e até nunca mais!".

...ou então:


BACK HOME EDITION
3.ª parte da trilogia Vou A Tua Casa



Historinha

A trilogia Vou A Tua Casa estreou em Lisboa no Verão de 2003 e transformou-se imediatamente na “imagem de marca”, mais ou menos estruturante, mais ou menos destrutiva, do seu autor. A performance acontecia nas casas dos próprios espectadores mediante marcação e foi sendo apresentada até sensivelmente Março de 2004. Até à data, já passou por Torres Vedras (Festival A8, Transforma AC, 2004), Londres (Postscript Festival, [msdm], 2004), Covilhã (Quarta Parede, 2006), Braga (Censura Prévia AC, 2006), Caldas da Rainha (Festival Sonda, 2006), Porto (A Sala, 2006) e Hamburgo (Dance Kiosk Festival, 2007). A segunda parte da trilogia, intitulada No Caminho, estreou em Torres Vedras (Festival A8, Transforma AC) no final de 2004, tendo seguido para Lisboa no ano seguinte. A performance acontecia para um só espectador de cada vez, em espaços públicos escolhidos por este, e sem duração definida. A terceira e última parte da trilogia — Lado C — regressa ao espaço privado, mais concretamente à casa do criador, que convida os espectadores para um jantar cozinhado pelo próprio e para uma síntese antológica de todo o projecto, feita em conjunto com o público e alguns convidados especiais. Estreou em Lisboa no Festival Alkantara em 2006 e já foi apresentada em casas particulares de Évora (Festival Internacional de Dança Contemporânea “Habitar A Cidade”, 2006), Porto (LUPA Festival, 2009) e Amares/Braga (Festival Encontrarte, 2009). A experiência gastronómico-filosófica de Lado C está agora a ser desenvolvida num projecto autónomo — Vou À Tua Mesa (2010/2011) — onde a comida deixa de ser um mero pretexto para um encontro para passar a elemento definidor de toda a peça. A trilogia foi também compilada num catálogo e num documentário em vídeo intitulados Vou A Tua Casa — Projecto de Documentação, no prelo (ou no prego) e à espera de melhores dias.

Pecinha

À mesa (para almoçar, lanchar, jantar, cear...) encontram-se: 15 espectadores [que fazem as vezes de alunos ou então de elementos de uma qualquer sociedade anónima], 1 artista [que faz as vezes de professor-cozinheiro ou então de guru de uma nova seita nominalista-conceptual], 1 observador misterioso [que ora faz de conta que não sabe ao que vai, ora faz de conta que ensaiou muito bem o papel], e 1 outro artista, convidado pelo primeiro para boicotar 5 minutos do espectáculo. Lado C, na verdade, nada mais é que um assumido plano maquiavélico de auto-ajuda perpetrado pelo seu autor, sendo este simultaneamente o seu maior e mais acérrimo destruidor. Discute-se o próprio espectáculo, à medida que o mesmo se vai construindo; duvida-se dos papéis que executamos só porque sim, e tenta-se, a custo, baralhá-los; reflecte-se sobre a razão de estarmos ali e o facto de não estarmos noutro sítio qualquer; pensa-se o porquê de tudo isto nos parecer tão familiar e aponta-se o dedo ao primeiro que disser donde vem a “inspiração”; revela-se a imanência de uma síntese dialéctica que não permite que as coisas possam ser divididas em sim e não, sendo que o talvez não é admitido como resolução do problema. LADO C é um evento insólito, mas ao mesmo tempo acolhedor, que vive em cima de uma dose inimaginável de ambiguidade, apenas porque tenciona verdadeiramente ver-se livre dela: concordar com a realidade para a podermos mudar. Uma performance que é política [nome] e não “política” [adjectivo]. A reunião extraordinária de um grupo de pessoas mais ou menos anónimas que se sentam para resolver os problemas de um artista, em troca perversa de comida gourmet e créditos curriculares.


Quem quiser dizer adeus ao Rogério Nuno Costa as we know him, é reservar lugar para o último "LADO C", a realizar no dia 4 de Março na Geraldine, pelas 20:00 horas. Marcações para e-mail: geraldine.lisboa@gmail.com

sábado, outubro 03, 2009

o espectáculo continua.

FOREVERNESS


espectador: 
Uma amiga minha está assim a modos que em romantismos com um rapaz.
[02:33:12]
E há poucos dias descobriram que passaram o réveillon 2007-2008 na Praça do Comércio.
[02:33:21]
Onde, é claro, não se viram, porque não se conheciam.
[02:33:22]
Bonito.
[02:33:42]
É que nenhum dos dois é de Lisboa ou vive em Lisboa.
[02:33:57]
Ela é transmontana, ele é catalão, vivem actualmente na cidade do Porto.
[02:34:42]

artista: 
É fantástica a capacidade que as pessoas têm de inventar passados comuns.
[02:34:55]
Para dar mais sentido ao presente.
[02:35:09]
Isso não é necessariamente negativo.
[02:35:21]
Mas tenho a sensação que o fazemos por não acreditarmos que o presente se basta a si próprio. Não precisa de sucedâneos nem de suplementos nutricionais nem de operações estético-cosméticas à laia de extreme makeover...
[02:35:41]

espectador:
O Vou A Tua Casa é um reality show?
[02:36:32]

artista:
É.
[02:36:40]


©The Fabulous Life Of..., 2005

quarta-feira, setembro 09, 2009

o espectáculo continua.

AFTER HOURS
Pós-Lado C

25.02.2009
E-mail

Querido Rogério, a tua amabilidade dá-me um enorme contentamento. Mas sobretudo queria dizer o quanto admiro o teu amor pelos outros (...). Fiquei a perceber isso muito bem na última conversa que tivemos. Também fiquei a perceber melhor um bocadinho daquilo que me disseste (...), aquilo do meta-meta-Dogma. Eu acho que no teu trabalho é muito importante essa coisa do "Estás comigo? Estás a seguir-me?", mas na viagem e na simultaneidade de níveis discursivos divergentes eu queria dizer "Tu pensas que me estás a seguir, mas as regras do jogo não são as que eu te disse que eram." Na realidade, isto é também um acto de amor da minha parte, na medida em que eu te estou a alertar para as minhas mentiras... Eu acho que tu percebeste isto muito bem, eu é que ainda não sabia o que era um meta-meta-Dogma... E essa coisa das regras invisíveis é algo que me preocupa muito e com o qual eu sinto uma responsabilidade como artista, valha isso o que valer. Anyway, resolvi trabalhar mais sobre este projecto e apresentar um novo desenvolvimento brevemente. Com um bocadinho de sorte estarás cá (...). Fiquei ainda a perceber o quanto é importante para ti a tua liberdade de dizeres aquilo que pensas, da forma que pensas. Na realidade, não te acho tão subversivo quanto te acho fiel a ti mesmo. És muito centrado, apesar de Gémeos... Por isto ser inspirador e refrescante, só te posso agradecer. (...) És mais do que bem vindo (...) sempre que quiseres, e a nossa cidade, como sabes, está sempre de braços abertos para pessoas honestas com a arte... Acho... Eu sempre pensei que o Porto é uma cidade de excelência, que não se deixa enganar com meia dúzia de truques como às vezes em Lisboa eu penso que acontece. Aqui chove muito e faz mais frio, as pessoas estão mais atentas e sorriem apenas quando há mesmo razão para isso. Tu sabes isso, és um homem do Norte. (...) Tudo de bom! M.


©Carla Valquaresma [at LUPA Festival, Porto, Fevereiro 2009]