sábado, outubro 03, 2009

o espectáculo continua.

FOREVERNESS


espectador: 
Uma amiga minha está assim a modos que em romantismos com um rapaz.
[02:33:12]
E há poucos dias descobriram que passaram o réveillon 2007-2008 na Praça do Comércio.
[02:33:21]
Onde, é claro, não se viram, porque não se conheciam.
[02:33:22]
Bonito.
[02:33:42]
É que nenhum dos dois é de Lisboa ou vive em Lisboa.
[02:33:57]
Ela é transmontana, ele é catalão, vivem actualmente na cidade do Porto.
[02:34:42]

artista: 
É fantástica a capacidade que as pessoas têm de inventar passados comuns.
[02:34:55]
Para dar mais sentido ao presente.
[02:35:09]
Isso não é necessariamente negativo.
[02:35:21]
Mas tenho a sensação que o fazemos por não acreditarmos que o presente se basta a si próprio. Não precisa de sucedâneos nem de suplementos nutricionais nem de operações estético-cosméticas à laia de extreme makeover...
[02:35:41]

espectador:
O Vou A Tua Casa é um reality show?
[02:36:32]

artista:
É.
[02:36:40]


©The Fabulous Life Of..., 2005

quarta-feira, setembro 09, 2009

o espectáculo continua.

AFTER HOURS
Pós-Lado C

25.02.2009
E-mail

Querido Rogério, a tua amabilidade dá-me um enorme contentamento. Mas sobretudo queria dizer o quanto admiro o teu amor pelos outros (...). Fiquei a perceber isso muito bem na última conversa que tivemos. Também fiquei a perceber melhor um bocadinho daquilo que me disseste (...), aquilo do meta-meta-Dogma. Eu acho que no teu trabalho é muito importante essa coisa do "Estás comigo? Estás a seguir-me?", mas na viagem e na simultaneidade de níveis discursivos divergentes eu queria dizer "Tu pensas que me estás a seguir, mas as regras do jogo não são as que eu te disse que eram." Na realidade, isto é também um acto de amor da minha parte, na medida em que eu te estou a alertar para as minhas mentiras... Eu acho que tu percebeste isto muito bem, eu é que ainda não sabia o que era um meta-meta-Dogma... E essa coisa das regras invisíveis é algo que me preocupa muito e com o qual eu sinto uma responsabilidade como artista, valha isso o que valer. Anyway, resolvi trabalhar mais sobre este projecto e apresentar um novo desenvolvimento brevemente. Com um bocadinho de sorte estarás cá (...). Fiquei ainda a perceber o quanto é importante para ti a tua liberdade de dizeres aquilo que pensas, da forma que pensas. Na realidade, não te acho tão subversivo quanto te acho fiel a ti mesmo. És muito centrado, apesar de Gémeos... Por isto ser inspirador e refrescante, só te posso agradecer. (...) És mais do que bem vindo (...) sempre que quiseres, e a nossa cidade, como sabes, está sempre de braços abertos para pessoas honestas com a arte... Acho... Eu sempre pensei que o Porto é uma cidade de excelência, que não se deixa enganar com meia dúzia de truques como às vezes em Lisboa eu penso que acontece. Aqui chove muito e faz mais frio, as pessoas estão mais atentas e sorriem apenas quando há mesmo razão para isso. Tu sabes isso, és um homem do Norte. (...) Tudo de bom! M.


©Carla Valquaresma [at LUPA Festival, Porto, Fevereiro 2009]

segunda-feira, julho 20, 2009

lado c.

VERSÃO 2009
—regresso a casa—


[terceira parte da trilogia Vou A Tua Casa]
[uma performance/conferência/jantar]




LADO C está na TERCEIRA VIA™ porque não nega o passado, mas também não aceita o passado. Agradece que existe e segue. Não é um espectáculo sobre. É um espectáculo. E é, portanto, "sobre" ele que se fala: para que serve, quem o legitima, quem o analisa, quem o cataloga, quem o contextualiza, quem o ignora, quem lhe cospe em cima, quem o faz, quem o vê, quem o compra, quem o programa, quem o documenta, para quem é dirigido, porque é que existe, porque é que existe assim, que outras formas teria ele para poder existir? Ou seja: estratégias de marketing e relações públicas adaptadas ao ambiente doméstico, compra e venda de materiais de escritório, nouvelle cuisine minhota, cura de enxaquecas, pesquisas Google, conspirações ultra-secretas, candidatura a apoios pontuais do Ministério da Cultura, troca de bilhetinhos debaixo da mesa e postais ilustrados. Tudo misturado num espectáculo simultaneamente ergonómico, nutricional, esotérico, medicinal e muito politicamente cultural. Para espectadores desconfortáveis com a sua condição de espectadores. Espectadores que não acreditam, mas que discutem. E para espectadores que gostam de comer.

No evento participam Rogério Nuno Costa [simultaneamente cozinheiro, mestre de cerimónias, orador, pensador, professor, DJ e trolha], dois assistentes [de mesa e de cozinha], oito espectadores [que serão também criadores, alunos, assistentes, amigos íntimos e aprendizes de feiticeiro] e ainda um artista convidado por cada sessão. LADO C é uma promessa de felicidade. Um momento de partilha que se deseja eterno. Um regresso às origens.



24 e 25 de Julho, 20:00
Lugar da Granja Velha [casa particular]
Amares, Braga 

reservas: amarense@gmail.com

sexta-feira, junho 05, 2009

o espírito do tempo.

FACEBOOK
=
WORLD WIDE NAZISM


Já fui banido pela sociedade, pela comunidade artística, pela academia, por vários grupos de "amigos", pela economia, pelas relações internacionais, pela crítica, pelo jornalismo cultural, pelo sistema de saúde, pela banca, pela família, pela filosofia, pela poesia, pelos mais velhos, pelos mais novos, pelos pares, pela minha cadela e por mim próprio. Faltava-me ser banido pelo Facebook. Pois bem, já fui. E estou a adorar! Ao ler os termos de uso (aquela coisa que nunca ninguém lê), cheguei à conclusão que há neo-fascismo ético-estético na net de fazer envergonhar o Dogma 2005! Os meus fãs (que só não me "banem" porque não têm mesmo noção), entretanto já começaram a tratar do assunto. AQUI.


©Artur Félix

sábado, maio 09, 2009

lado b.

MAIO 2004
[ou: ainda encontro páginas por riscar no caderno de notas, com coisas destas:]



"There is nothing more abstract than reality."


  1. Colocar as pessoas no sítio certo, que é como quem diz, pô-las na "linha". Na de trabalho ou noutra qualquer. Chega de "margens".
  2. Não fazer rigorosamente nada, que é como quem diz, fazer rigorosamente tudo. Chega de tensões.
  3. Não conceder papéis, que é como quem diz, revelar papéis existentes e riscá-los da "lista". Pô-los na "linha", "alinhá-los". Chega de poéticas do espaço.
  4. Fechar todos os campos de possibilidades, que é como quem diz, abrir todos os campos de impossibilidades. É-se feliz nos becos sem saída. São quentinhos, protegidos, e são "lugares onde", não são "não-lugares". Não.
  5. Partilhar um lanche. Porque é bonito. Chega de poéticas do espaço.
  6. Dizer que se faz e que se acontece, assim fazendo e acontecendo. Parar. Queremos performatividades linguísticas, não queremos "linguagens" espectaculares. Quem não sabe é como quem não vê. Mas quem vê, nem sempre sabe.
  7. Escrever num cartaz "PODIAS TER SIDO TU A FAZER". E depois dizer: "ENTÃO FAZ!". E depois ver, sabendo.
  8. Fotografar e revelar, que é como quem diz: ver (sabendo...) o negativo. E depois suspender. Chega de clímaxes. O melhor show off é o tântrico.
  9. Destruir todas as máquinas de cena, que é como quem diz: inventar máquinas para sair de cena, ou então inventar máquinas para lá ficar o maior tempo possível. Pode ser drogas, já estamos por tudo...
  10. Correspondermo-nos por carta, evidentemente. E sempre.
  11. Escrever "sempre" ou "para sempre" no final de todas as cartas que escrevermos.
  12. Escrever cartas a pessoas que estão espetadas à frente do nosso nariz, à mão de semear e à mão de escrever, dizendo-lhes constantemente que é mentira. Porque "é mentira".
  13. Não fazer de conta que se sabe, mas também não fazer de conta que não se sabe. Queremos mesmo saber. Por exemplo: "Como te chamas?".
  14. Escrever no caderno de notas: "Isto não é sobre eu ir ter contigo e conhecer-te, isto sou eu a ir ter contigo e a conhecer-te". Mesmo. Ou em inglês: "For real!". Ou seja, "para o Real". 'Bora pró Real? Chega de poéticas. Do espaço ou doutros sítios platónicos quaisquer.

©Luísa Casella [2004]