sexta-feira, junho 05, 2009

o espírito do tempo.

FACEBOOK
=
WORLD WIDE NAZISM


Já fui banido pela sociedade, pela comunidade artística, pela academia, por vários grupos de "amigos", pela economia, pelas relações internacionais, pela crítica, pelo jornalismo cultural, pelo sistema de saúde, pela banca, pela família, pela filosofia, pela poesia, pelos mais velhos, pelos mais novos, pelos pares, pela minha cadela e por mim próprio. Faltava-me ser banido pelo Facebook. Pois bem, já fui. E estou a adorar! Ao ler os termos de uso (aquela coisa que nunca ninguém lê), cheguei à conclusão que há neo-fascismo ético-estético na net de fazer envergonhar o Dogma 2005! Os meus fãs (que só não me "banem" porque não têm mesmo noção), entretanto já começaram a tratar do assunto. AQUI.


©Artur Félix

sábado, maio 09, 2009

lado b.

MAIO 2004
[ou: ainda encontro páginas por riscar no caderno de notas, com coisas destas:]



"There is nothing more abstract than reality."


  1. Colocar as pessoas no sítio certo, que é como quem diz, pô-las na "linha". Na de trabalho ou noutra qualquer. Chega de "margens".
  2. Não fazer rigorosamente nada, que é como quem diz, fazer rigorosamente tudo. Chega de tensões.
  3. Não conceder papéis, que é como quem diz, revelar papéis existentes e riscá-los da "lista". Pô-los na "linha", "alinhá-los". Chega de poéticas do espaço.
  4. Fechar todos os campos de possibilidades, que é como quem diz, abrir todos os campos de impossibilidades. É-se feliz nos becos sem saída. São quentinhos, protegidos, e são "lugares onde", não são "não-lugares". Não.
  5. Partilhar um lanche. Porque é bonito. Chega de poéticas do espaço.
  6. Dizer que se faz e que se acontece, assim fazendo e acontecendo. Parar. Queremos performatividades linguísticas, não queremos "linguagens" espectaculares. Quem não sabe é como quem não vê. Mas quem vê, nem sempre sabe.
  7. Escrever num cartaz "PODIAS TER SIDO TU A FAZER". E depois dizer: "ENTÃO FAZ!". E depois ver, sabendo.
  8. Fotografar e revelar, que é como quem diz: ver (sabendo...) o negativo. E depois suspender. Chega de clímaxes. O melhor show off é o tântrico.
  9. Destruir todas as máquinas de cena, que é como quem diz: inventar máquinas para sair de cena, ou então inventar máquinas para lá ficar o maior tempo possível. Pode ser drogas, já estamos por tudo...
  10. Correspondermo-nos por carta, evidentemente. E sempre.
  11. Escrever "sempre" ou "para sempre" no final de todas as cartas que escrevermos.
  12. Escrever cartas a pessoas que estão espetadas à frente do nosso nariz, à mão de semear e à mão de escrever, dizendo-lhes constantemente que é mentira. Porque "é mentira".
  13. Não fazer de conta que se sabe, mas também não fazer de conta que não se sabe. Queremos mesmo saber. Por exemplo: "Como te chamas?".
  14. Escrever no caderno de notas: "Isto não é sobre eu ir ter contigo e conhecer-te, isto sou eu a ir ter contigo e a conhecer-te". Mesmo. Ou em inglês: "For real!". Ou seja, "para o Real". 'Bora pró Real? Chega de poéticas. Do espaço ou doutros sítios platónicos quaisquer.

©Luísa Casella [2004]

sábado, maio 02, 2009

press.

PONTO DE FUGA
o texto integral



1. Que projectos para breve?
Depois de um 2008 ocupado essencialmente com o projecto curatorial A Oportunidade do Espectador e a peça Espectáculo de Teatro, estou neste momento em fase de pesquisa e investigação para o projecto que se segue, a criação de um dispositivo virtual e interrelacional de educação trans-artística ao qual chamarei Universidade. Conto que o ano zero arranque lá para o fim de 2010. Até lá, tenho dois catálogos de projectos anteriores para editar, algumas reposições do Vou A Tua Casa (dentro e fora de portas) e ainda um filme sobre Amares, a minha terra natal.

2. O que interessa divulgar neste momento do seu trabalho?
A peça infantil que vou co-criar e interpretar a meias com a Sónia Baptista e o Miguel Bonneville, com base nas "Histórias em verso para meninos perversos", de Roald Dahl. Estreia no Teatro do Campo Alegre, no Porto, em Outubro.

3. Qual a banda sonora dos seus dias? Ou seja, que discos e temas anda a ouvir em casa, no carro, na rádio, no leitor mp3? E para que momentos?
Em loops infinitos, o novo dos Pet Shop Boys ("Yes"), que oiço em todo o lado enquanto sonho com férias de verão na Riviera Francesa. Em loops mais contidos, os novos da Peaches (na rua) e dos Grizzly Bear (na cama). Em loops normais, as 42 músicas do Festival Eurovisão da Canção 2009. E depois oiço sempre, e em todo o lado, dois dos meus mais insistentes guilty pleasures: Scooter e Jean-Michel Jarre (discografias completas, remisturas, b-sides, colaborações e raridades); uma aliança franco-germânica que é não só a banda sonora dos meus dias, mas também a cara chapada da minha persona criativa.

4. Qual o último filme a arrebatar-lhe os sentidos e porquê?
Não vou muito ao cinema. O último filme que me arrebatou os sentidos (entre outras coisas arrebatáveis) vi-o em casa e foi o "The 5 Obstructions", do Lars von Trier vs. Jørgen Leth. É de 2003, mas só o vi em 2007; desde então, a obsessão já me fez revê-lo umas boas 20 vezes.

5. A que político aconselharia? E porquê?
Honestamente, a nenhum. Os políticos (portugueses) já são exímios em desenvencilhar-se criativamente de obstáculos duros de roer. Mas aconselharia vivamente o filme a todos os soit disant "programadores culturais" (portugueses), que são mais "políticos" que os políticos todos juntos.

6. Que espectáculos de palco pensa ver? Porquê?
Sou daquelas pessoas velhas e execráveis que praticamente já só vê os espectáculos dos amigos e não tem paciência para os restantes. Estou em pulgas para me sentar na primeira fila do renovado S. Luiz para ver "Demo", o musical do Teatro Praga. Acho que é em Julho.

7. E quanto a literatura? Está a ler algum livro de momento? Se sim, qual e porquê? O que está a achar?
Deixei de ler poesia em 2002. Deixei de ler romances em 2005. E deixei de ler ensaios (sobretudo filosóficos) em 2008. Já só leio livros de cozinha, e leio-os como quem lê poesia, romance e ensaio. Basta-me. Recomendo o magnânime "A Day at elBulli", sobre e à volta do chef catalão Ferran Adrià, uma edição de luxo da Phaidon.

8. Qual o último livro que abandonou a meio? Porquê?
Que me lembre, nenhum. Sou um emo-conceptual insistente e de pendor assumidamente masoquista: vou até ao fim, mesmo quando não estou a gostar. Gostaria de ter a coragem de um dia poder abandonar a meio qualquer coisa que me estivesse a agradar imenso.

9. Qual a sua arte da fuga predilecta? (ou seja, quanto está de folga ou férias, disponível para ócio, o que prefere fazer na cidade?)
Prefiro a casa à cidade. Nesse sentido, a minha arte e a minha fuga encontram-se plasmadas aqui: www.vouatuamesa.blogspot.com. Sonho com o dia em que a cozinha será o meu ponto de fuga estruturante, e já não um mero amor das horas vagas.


[in "Actual", jornal EXPRESSO, por Bernardo Mendonça]


©Espectáculo do Teatro, 2008

sábado, abril 25, 2009

o espectáculo continua.

MISTICISMOS
a oportunidade de um espectador


EU — Tu és assim o exemplo típico do "amigo Vou A Tua Casa". Pertences ao clube. Eu queria fazer qualquer coisa com isto, mas não sei bem o quê. Só me ocorrem coisas visuais e totós da art contemporaine...
ELE — Hehehehe! Fui à tua casa, convidei-te para a minha... Isso é interessante. Vou desatar a despejar mochilas em cima das mesas das pessoas para fazer amigos como tu! Por acaso senti uma coisa estranhíssima quando os teus alunos do workshop comentaram o meu trabalho...
EU — Nem tudo são rosas, meu caro... Também fazes muitos inimigos. Na verdade, fazes mais inimigos que amigos...
ELE — Parece que por segundos estavam todos apaixonados por mim...
EU — Bem-vindo ao universo Vou A Tua Casa, no que ele tem de bom e de mau. O que fizeste potenciou isso.
ELE — Que estranho poder!... Por momentos pensei: "Podia fazer isto a vida toda"...
EU — Dizia isso a mim próprio de cada vez que terminava um espectáculo, mas acho que estava enganado... Não quero fazer isto a vida toda, porque isso implicaria que houvesse muitas pessoas disponíveis para isto, e não há. Ser-se "generoso" não é da moda.
ELE — Bem sei...
EU — Eu "apaixono-me" sempre. A sério ou a brincar. Não tenho outra hipótese. Se houver algum entendimento "técnico" em relação a este projecto, é esse. Faço os possíveis para me apaixonar. mesmo. A sério ou a brincar. Mas mesmo. Uma das relações "a sério" mais bonitas que tive foi com um espectador; apaixonamo-nos durante o No Caminho.
ELE — Ai sim!?
EU — Sim. Tenho a sensação (acho que ambos temos) que a "performance" só acabou no dia em que terminámos a relação, um ano e meio depois.
ELE — Que lindo!!!!

[...]

ELE — É... Às vezes baixam-me capacidades mediúnicas... Já jantei à borla muitas vezes por causa disso!
EU — Estás a falar a sério?
ELE — Bom... Não foram assim tantas vezes... Embora uma amiga me queira pôr a render no Chiado.
EU — Hahaha! Temos que falar melhor disso, do mediúnico... Lembras-te daquela conversa de abrir um livro ao calhas num espectáculo e o que leio bater certo em relação à situação em que estou ou em relação ao que acabei de dizer no instante imediatamente anterior?
ELE — Muito bem, sim.
EU — Bom, há pessoas que vêem naquilo algo mais que uma coincidência "performativa", ou então um trabalho de observação artística que por ser muito sensível (para ambas as partes: actor e espectador) faz provocar situações e associações entre situações que são de uma coincidência quase-mística... Seja como for, eu tenho uma grande dificuldade em assumir que possa ser possuidor de super-poderes, que não sou. LOL
ELE — Haahah! Eu com o que já vi, abstenho-me de comentar... LOL. Mas para mim, um pensar e o outro dizer não encerra qualquer tipo de mistério. Parece-me naturalíssimo 'adivinhar' pensamentos.
EU — A mim também me parece naturalíssimo. Por isso não sei falar destas coisas. Elas acontecem. Ponto final. Sabes, eu não te conheço bem, mas tenho a sensação que tu tens uma sensibilidade muito vou a tua cas'iana. E com esta me retiro.
ELE — Faz boa viagem e que tudo corra bem!



Lisboa
Agosto 2007

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

lado c.

A LATE NIGHT SUPPER
@ Lupa Festival, Porto





Uma performance, uma conferência, um jantar, um encontro semanal dos membros do Clube Das Pessoas Que Se Juntam Para Ajudar O Artista Rogério Nuno Costa a ser melhor artista. Ou não. Dias 20, 21 e 22 de Fevereiro, às 22:00.


COLLECTIONNOIR_BATALHA
produção_salabranca lab
co-produção_collectionnoir, joão mm costa, helena machado

reservas: 910902525, collectionnoir@yahoo.fr
rua augusto rosa, 176, 3.º dto. [porto]